Circulação e intercâmbio de plantas e conhecimentos fitomedicinais na fronteira franco-brasileira

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September 30, 2021

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circulation ethnobotanique Guyane française Brésil plantes médicinales frontière circulação etnobotânica Guiana francesa Brasil plantas medicinais fronteira circulation ethnobotany French Guiana Brazil medicinal plants border

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Plantules Jeunes plants

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Marc-Alexandre Tareau et al., « Circulação e intercâmbio de plantas e conhecimentos fitomedicinais na fronteira franco-brasileira », Confins, ID : 10.4000/confins.39305


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Abstract Pt Fr En

As farmacopeias são, como toda produção cultural, objetos eminentemente vivos e dinâmicos que se transformam e se reinventam constantemente, ao longo dos contatos e intercâmbios incessantes que acontecem entre os diferentes grupos humanos. As plantas medicinais também são “objetos bioculturais” (Pordié, 2002) pela riqueza e complexidade das relações que as sociedades mantêm entre si, que estão igualmente sempre em evolução. Na Guiana Francesa e, especialmente, nos espaços transfonteiriços, as interações culturais são constantes. As plantas e seus usos circulam entre as comunidades, participando assim da renovação e hibridação contínuas das fitoterapias. Esses fluxos materiais e imateriais compõem a realidade cultural dos espaços transfronteiriços do Planalto das Guianas. O presente artigo foca a fronteira franco-brasileira, materializada pelo Rio Oiapoque. Baseados em entrevistas feitas na cidade de Saint-Georges de l’Oyapock, propomos uma descrição exploratória dos fluxos etnobotânicos em contexto transfronteiriço, interessando-nos pelas plantas medicinais intercambiadas, pela difusão dos saberes a elas associados e, logo, pelos modos de circulação das plantas e conhecimentos. Este estudo integra uma pesquisa mais ampla sobre as circulações bioculturais na região da Guiana Francesa e seus vizinhos.

Les pharmacopées sont, à l’image de toute production culturelle, des objets éminemment vivants et dynamiques qui se transforment et se réinventent constamment, au fil des contacts et échanges incessants qui se jouent entre les différents groupes humains. Les plantes médicinales sont, elles aussi, des « objets bioculturels » (Pordié, 2002) par la richesse et la complexité des relations que les sociétés entretiennent avec elles, elles aussi toujours en évolution. En Guyane, et en particulier sur les espaces transfrontaliers, les interactions culturelles sont constantes. Les plantes et leurs usages circulent entre les communautés, participant au renouvellement et à l’hybridation continuelle des phytothérapies. Ces flux matériels et immatériels composent la réalité culturelle des espaces transfrontaliers du plateau des Guyanes. Cet article se focalise sur la frontière franco-brésilienne matérialisée par le fleuve Oyapock. À la lumière d’entretiens menés dans la ville de Saint-Georges-de-l’Oyapock, nous proposons une description exploratoire des flux ethnobotaniques en contexte transfrontalier, en nous intéressant aux plantes médicinales échangées, à la diffusion des savoirs associés et donc aux modes de circulation des plantes et des connaissances. Cette étude compose une partie d’une recherche plus large sur les circulations bioculturelles à l’échelle de la Guyane et de ses voisins.

Pharmacopoeias are, like any kind of cultural production, living and dynamic objects that constantly change and reinvent themselves, throughout continuous contacts and exchanges between different social groups. Medicinal plants are “biocultural objects” (Pordié, 2002) as well, because of the richness and the complexity of relationships that societies develop with them. In French Guiana, especially in its cross-border areas, cultural interactions are usual. Plants and knowledge about their uses circulate among communities, contributing to a permanent renewal and a continuous hybridation of herbal medicines. These material and immaterial flows form the cultural reality of cross-border areas on the Guiana Shield. This paper focuses on the border between French Guiana and Brazil, which was made tangible by the Oyapock River. Based on interviews conducted in the French border town of Saint-Georges-de-l’Oyapock, it proposes an exploratory description of ethnobotanical flows in this cross-border context. It lists the medicinal plants used in Saint-Georges, analyses the diffusion of associated knowledge between the different communities and highlights the circulations of plants and of related medicinal knowledge in this transfrontier area. This research is one part of a larger study on biocultural circulations at the scale of French Guiana and its neighbours.

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