O ciberdocumentário prefigurativo dos anos 2000

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2010

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Documentário Ciberativismo videoativismo políticas prefigurativas contrapúblicos videoarte

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Bráulio de Britto Neves, « O ciberdocumentário prefigurativo dos anos 2000 », Dialnet - Artículos de revista, ID : 10670/1.a1ty2l


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Abstract 0

Esta tese propõe novos critérios para a definição de cinema documentário, tomando-o como uma classe natural da retórica da esfera pública contemporânea, a partir da extrapolação dos traços recorrentes do documentário político feito a partir, através e para a circulação na internet, na primeira década do século 21. A constatação de que o ciberdocumentário ativista recente logrou transformar o esforço de constituição de espaços de visibilidade pública autônomos em uma matéria de expressão poética peculiar conduziu à concepção de que o traço distintivo do documentário, em geral, reside no tipo específico de relação que ele pretende constituir entre seus participantes: enunciadores, enunciatários e atores sociais. Reinterpreta-se retórico-especulativamente os conceitos da "pragmática universal" para tornar os conceitos de "interpretabilidade" e "validez" operadores analíticos apropriados para o exame da retórica dos ciberdocumentários. A peculiaridade mais decisiva desses vídeos é sua função instauradora de contrapúblicos, através da operação de plataformas telemáticas de publicação abertas. Essa inovação, trazida para a esfera pública pelo ciberativismo dos movimentos antiglobalização corporativa, é estruturada como uma política prefigurativa. Os ciberdocumentários publicados nessas plataformas são também prefigurativos porque visam provocar efeitos catalisadores, comemorativos e regenerativos sobre seus apreciadores, propiciando a transposição das relações de participação na enunciação para as relações nos contrapúblicos e na esfera pública ampla. A inovação da produção de conteúdo pelos públicos usuários, porém, é capturada por corporações da telemática, nas "redes sociais" e sites de "compartilhamento de vídeos", como estratégia para extrair trabalho não pago da privacidade coletiva dos usuários. Através de análises da estrutura das plataformas de publicação, de alguns ciberdocumentários e de entrevistas com seus organizadores, a tese examina dois projetos ciberativistas prefigurativos: o CMI-Brasil e o Circuitos Compartilhados. Examina-se como o propósito de constituição de contrapúblicos ativistas prefigurativos determina os demais elementos da retórica dos ciberdocumentários (situações de tomada, montagem, paratextualização nas plataformas, organização de exibições). Nos vídeos do Centro de Mídia Independente, temos uma retórica próxima do documentário direto contrainformação política, na qual o espaço urbano é audiovisualmente reconstruído de maneira agônica. A intensa imersividade dos vídeos ceemistas serve para de estabelecer uma relação de revezabilidade entre os participantes das enunciações ciberdocumentárias prefigurativas. Em Circuitos, há proximidade com a retórica do documentário poético-experimental. Nesssa plataforma, que também é uma coleção de vídeos compartilhada pelos participantes do projeto, a constituição de contrapúblicos é manifestamente explorada como praxis poética.

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