Os Xetá e seus acervos: memória histórica, política e afetiva (Paraná, Brasil)

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October 18, 2021

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Abstract Pt Fr En

Em meados do século xx, os Xetá, povo indígena falante de uma língua tupi-guarani, foram contatados no Sul do Brasil, e subitamente reduzidos: em uma década perderam 70% de sua população. Do contato restou farta documentação sobre o grupo, que cobre diversificados interesses: cultura material, cinema, etnomusicologia, arqueologia e linguística. Refeitos demograficamente, embora ainda desterritorializados, os Xetá têm cada vez mais buscado conhecer os acervos depositados em museus, os quais documentam a trágica história do grupo, que vai, assim, tomando uma forma cristalizada e irrevogável. Na atualidade, emulando os antigos, os grupos familiares xetá estão a (re)produzir machados de pedra, bichinhos, pontas de flechas, colares, e colecionando filmes e fotografias em que se busca recuperar a vida passada. Concebidas entre as categorias “trabalho” e “relíquia”, essa produção lhes permite dinamizar a vida social, instaurando uma lógica objetiva e subjetiva, permeada de temporalidade e constitutiva da vida xetá. A partir da dinâmica de relações entre essas categorias, este artigo pretende refletir o modo como “as coisas dos antigos no tempo do mato” criam a vida, isto é, movimentam e revelam, em termos de enunciação de conceitos, as relações, a política, o afeto, a memória e a temporalidade xetá.

Au milieu du siècle dernier, les Xetá du sud du Brésil, locuteurs d’une langue tupi-guarani, ont été contactés et brutalement décimés : en une décennie, ils ont perdu 70 % de leur population. Depuis le contact, une vaste documentation a été collectée sur ce groupe, qui couvre de nombreux champs, sous diverses formes : culture matérielle, cinéma, ethnomusicologie, archéologie et linguistique. Sauvés sur le plan démographique, bien que toujours privés de territoire, les Xetá cherchent à prendre connaissance des collections déposées dans les musées, et documentent leur histoire tragique, qui prend ainsi une forme cristallisée et irrévocable. Aujourd’hui, imitant les anciens, les groupes familiaux xetá (re)produisent des haches de pierre, des animaux miniatures, des pointes de flèches, des colliers, et rassemblent des films et des photographies afin d’y retrouver des éléments du passé. Conçue entre les catégories de « travail » et de « relique », cette production leur permet de dynamiser leur vie sociale en y instaurant une logique, objective et subjective, propre à la vie xetá et à ses concepts de temporalité. À partir de la tension entre ces catégories, cet article examine la façon dont « les choses des anciens du tempss de la forêt », créent la vie, au sens où – conceptuellement et relationnellement – ces objets animent et éclairent la politique, l’affectivité, la mémoire et la temporalité.

In the middle of the last century, the Xetá, speakers of a Tupi-Guarani language of southern Brazil, were contacted and rapidly decimated, losing 70% of their population in the course of a decade. During those years, vast amounts of documentation about the group were collected (films, artefacts, sound recordings…), covering a wide range of fields (ethnomusicology, archaeology, linguistics…). Though still deterritorialized, the Xetá have now demographically recovered and show growing interest in the collections deposited in museums, which document their tragic history, enshrined in a crystallized and irrevocable form. Nowadays, emulating their forebears, Xetá family groups (re) produce stone axes, animal figurines, arrowheads, necklaces, and they collect films and photographs in which past life is recovered. Categorized somewhere between “work” and “relics”, this production is key to the dynamics of their social life and establishes a sort of logic, both objective and subjective, permeated by concepts of temporality. Reflecting on these dynamics, this article intends to show how “the things of the times when our forebears lived in the forest” create life; in other words, how they reconfigure the Xetá’s political, social, emotional, memorial and temporal lives.

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