INTERAÇÕES, PODER E INSTITUIÇÕES TOTAIS: A NARRATIVA DE PRIMO LEVI E A MICROSSOCIOLOGIA DE ERVING GOFFMAN

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2009

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Revista de Sociologia e Política



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Robson dos Santos, « INTERAÇÕES, PODER E INSTITUIÇÕES TOTAIS: A NARRATIVA DE PRIMO LEVI E A MICROSSOCIOLOGIA DE ERVING GOFFMAN », Revista de Sociologia e Política, ID : 10670/1.6ybp9u


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"A partir do relato biográfico e literário produzido pelo sobrevivente de um campo de concentração - o judeu italiano Primo Levi -, que descreve as estratégias de interação e representação adotadas pelo narrador-sobrevivente para garantir a manutenção da vida, o presente artigo ensaia algumas reflexões sobre a Sociologia de Erving Goffman. O texto busca apreender os processos de produção da subjetividade e da individualidade no interior de uma instituição total, compreendendo o papel dos espaços sociais na construção de interações particulares, tal como aquelas que aconteceram num campo de extermínio, a partir do relato presente no livro "É isto um homem?", de Primo Levi. Essa análise nos conduz à reflexão sobre o micro e o macro na Sociologia de Goffman, bem como à indagação sobre a existência de uma teoria das instituições em sua Sociologia. Assim, ao adentrarmos essa dimensão da obra de Goffman com o auxílio da descrição da experiência de Primo Levi em uma instituição total, buscamos tanto dispor de uma narrativa diversa sobre o espaço em questão, quanto extrair alguns questionamentos para a própria concepção de Goffman, principalmente no que se refere às formas pelas quais sua Sociologia permite dinamizar as interações particulares, a história e as estruturas sociais exteriores ao território interacional. Ao que nos parece, uma análise das interações imanentes a locais delimitados não entra em contradição com a percepção e a análise dos processos sociais amplos: o campo de extermínio, por exemplo, instituiu e produziu sociabilidades próprias, das quais o entendimento, porém, não exclui a necessidade de se compreender o processo de emergência do nazismo, a história dos grupos perseguidos, bem como o sentido do Holocausto em relação ao chamado "processo civilizatório" ou a uma forma particular de racionalidade moderna."

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